Jogos Olímpicos de Tóquio são adiados para 2021

A ex-nadadora japonesa Imoto Naoko ergue a tocha no estádio Panatenaico Aris Messinis/Reuters

Depois que pandemia de coronavírus que  contaminou 700 000 e já matou mais de 33 000 pessoas em todo o mundo, afetando diretamente todos os eventos esportivos do planeta – O governo japonês e COI anunciam primeiro adiamento da história do maior e mais significante evento esportivo.  Nas últimas semanas, estádios sem torcedores, atletas famosos infectados e notícias sobre adiamentos ou cancelamentos de torneios tomaram conta do noticiário esportivo, em decisão inédita são cancelados os Jogos Olímpicos de Tóquio 2020.

 

O COI (Comitê Olímpico Internacional) se rendeu ao que parecia inevitável e anunciou que os Jogos Olímpicos de Tóquio não serão realizados nas datas planejadas.

 

A pandemia do coronavírus levou a entidade e o governo japonês a adiarem o evento para 2021, em data ainda a ser confirmada, provavelmente no verão do hemisfério norte (de junho a setembro).

 

Na terça-feira 24 de março, o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, conversou por telefone com o presidente do COI, o alemão Thomas Bach, e anunciou o adiamento em entrevista coletiva. Na sequência, o COI se manifestou em nota confirmando a decisão.

 

Essa é a primeira vez que uma edição dos Jogos muda para outro ano em sua era moderna (desde 1896). Outras três foram canceladas (1916, 1940 e 1944) nesse meio tempo,  em razão das Guerras Mundiais.

Pelo que havia sido estabelecido inicialmente, as competições em Tóquio teriam início em 22 de julho (com a cerimônia de abertura no dia 24) de 2020 e se estenderiam até 9 de agosto, data prevista do encerramento.  A Paraolimpíada, que começaria em 25 de agosto, também foi adiada.

 

"Nas atuais circunstâncias, e com base nas informações fornecidas hoje pela OMS [Organização Mundial da Saúde], o presidente do COI e o primeiro-ministro do Japão concluíram que os Jogos devem ser remarcados para uma data posterior a 2020, mas o mais tardar no verão de 2021, para proteger a saúde dos atletas, todos os envolvidos nos Jogos Olímpicos e na comunidade internacional" , afirma o comunicado do COI.

 

Segundo a entidade, a primeira edição do evento que acontecerá em um ano ímpar continuará sendo chamada oficialmente de Tóquio-2020.

A mudança fará com que o COI passe por cima do que diz a Carta Olímpica, conjunto de princípios e regras que guia a sua atuação e das entidades nacionais, além da organização dos megaeventos esportivos ligados ao comitê.

 

No artigo 32 de sua última versão, publicada em junho de 2019, o documento afirma que os Jogos são celebrados durante o primeiro ano da Olimpíada (2020), e os Jogos de Inverno, no terceiro ano (2022).

 

Olimpíada, nesse sentido, é um conceito associado às competições da Grécia Antiga e corresponde ao período de quatro anos entre a realização de duas edições.

Desde que a OMS passou a tratar como “pandemia”  o surto de coronavírus, em 11 de março, eventos esportivos vinham sendo paralisados em sequência. As principais competições do mundo foram interrompidas, sem prazo concreto para o retorno.

 

Havia alguma resistência, no entanto, por parte do COI, que até meados do mês não via pressa para “decisões drásticas”. A entidade presidida por Bach mantinha a esperança de que a situação pudesse ser normalizada a tempo de a programação ser sustentada, algo que não se concretizou.

 

No domingo (22), o comitê admitiu pela primeira vez a possibilidade de adiantamento e estabeleceu um prazo de quatro semanas para uma definição sobre o tema, o que se mostrou tempo demais diante da pressão que passou a ser exercida por atletas e comitês olímpicos de países como Estados Unidos, Austrália, Canadá, Alemanha e Brasil. 

 

Alguns rituais tradicionais dos Jogos já haviam sido iniciados. A Chama Olímpica, por exemplo, fora acesa na Grécia e entregue ao Japão, que iniciaria o revezamento da tocha na quinta (26). Segundo o COI, o fogo que simboliza o evento permanecerá no país à espera de um novo cronograma para o evento.